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ENTREVISTA COM JAIRO MOZART
A Página dos Amigos de
Fagner tem o prazer de entrevistar o cantor, compositor, artista plástico
e produtor JAIRO MOZART. Paraibano de João Pessoa, Jairo participou de
todos os grande movimentos culturais e musicais da Paraíba , assim como
dos movimentos culturais do Ceará e de Recife. Foi produtor de shows de
Fagner e é amigo e parceiro de grandes nomes da nossa música. Participou
do antológico LP duplo “Música da Paraíba Hoje” que tinha entre outros
talentos, Chico César e Jarbas Mariz.

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Jairo, prazer em tê-lo por aqui. Vamos começar falando sobre o início de
sua carreira musical.
- Minha carreira começou na década de 70, no Teatro Santa Rosa, em João
Pessoa. Foi a primeira vez que subi em um palco na minha vida. Era o 3.
Festival da Música Paraibana. Minha música não ganhou, mas chegou à
final. Em todos os festivais que participei, minhas músicas sempre
chegavam à final, 2º.ou 3º.lugar.
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A sua família tem tradição musical ?
- Foi meu avô quem sugeriu meu nome, Mozart. Ele era clarinetista da
banda do Exército. Os meus irmãos, do segundo casamento de meu pai são
músicos, precussionistas.
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Quando você decidiu sair de João Pessoa ?
-Antes de emigrar mesmo, eu fiz várais incursões com o pessoal do Recife,
Kátia Mesel, Jorge Donel e tirei o 3º. Lugar no Festival da música
Jaboatonense com a balada “Sem ninguém, sem amor e sem Deus”, em parceria
com o maestro Mário Daniel, que foi meu segundo professor de violão. Fui
aluno também de Vital Farias e Clóvis 7 cordas, esse já falecido.
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Como foi sua vinda para o Sul ?
- Eu fui à Natal para a “Exposição de Artes Plásticas”. Durante um ano e
meio trabalhei como artista plástico, depois desisti e nessa época eu era
vizinho de Zé Ramalho. Mostrei a ele algumas composições que tinha e ele
gostava, me incentivava a continuar.
Quando me dirigia à Natal, no ônibus, conheci Capinam e Mirabô. Ficamos
amigos imediatamente e eles acabaram participando da Exposição, declamando
poesias e levando uma cantora que era parente de Therezinha de Jesus.
Fiquei morando por 6 meses na chácara de Capinam que ficava em Mãe Luisa,
nas Dunas. Um dia chegou Ednardo e banda. Depois Fagner e banda. Mirabô
comentou comigo que Fagner estava sem produtor e perguntou se eu não
queria produzí-lo junto com ele. Produzi então Fagner, Ednardo e Ricardo
Bezerra, isso em 74/75. Em seguida voltei para João Pessoa e algum tempo
depois Ednardo ligou me convidando para participar do que seria o projeto
“Massafeira-Livre” no Teatro José de Alencar. Fui para Fortaleza e fiquei
morando na casa de Ednardo, na mesma época em que nasceu a filha dele,
Maria Joana. Voltando para João Pessoa, fiz a produção de alguns shows de
Fagner em João Pessoa mesmo e em Olinda. Nessa época a banda que o
acompanhava era formada por Ife, Robertinho de Recife, Cândido e Pet
Maia. Nessa ocasião eu tinha vendido antecipadamente todos os ingressos
de 3 shows de Fagner no Teatro Santa Rosa, de João Pessoa e de 2 dias em
Olinda. Infelizmente, foi na mesma época em que faleceu, tragicamente, a
irmã de Fagner, Elizeth. Ele estava sem condições emocionais de realizar
os shows, e eu tive que cancelar as apresentações e devolver o dinheiro.
O show estava muito bem divulgado e seria um grande sucesso. Os shows de
Olinda foram apenas adiados. Encontrei Fagner na casa de Thiago de Mello,
em Olinda e ficamos 3 dias conversando. Mostrei a ele toda a produção que
eu tinha feito, o valor que tive de devolver dos ingressos e ele me
ressarciu de tudo. Continuamos a trabalhar juntos e produzi outros shows
dele em João Pessoa e Rio de Janeiro.
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E depois disso ?
- Parei um pouco com as produções pois fui para o Rio junto com um grupo
grande de cearenses para realizar a gravação do projeto “Massafeira”, à
convite da CBS.
Moramos um ano no “Hotel Santa Teresa” , no bairro de Santa Teresa. O
grupo era formado por Chico Pio, Ângela Linhares, Ednardo, os irmãos dele,
Régis e Rogério, Calé Alencar, Marta Aurélia, Amelinha, Aninha,Sérgio
Pinheiro, Alano Freitas, um monte de gente. Fagner também morava lá.
Nessa época a gente trabalhava em fotonovela da revista Sétimo Céu e
fizemos figuração no filme “Dona Flor e seus dois maridos” que teve
locação por lá. Logo depois, Fagner trouxe Manassés da França e eu já
morava em Laranjeiras. Manassés ficou divindo o apartamento comigo e
outro músico. Logo depois Fagner alugou um apartamento na Almirante
Alexandrino (S. Teresa) e fui morar lá, junto com Candido, Ife e
Manassés. Nessa ocasião Fagner era o produtor artístico do selo Epic da
CBS e passei a produzir os shows dele junto com Ralph Justino e Cacá
Moreno. O primeiro grande show que produzi dele foi no Estádio Caio
Martins em Niterói. Depois disso veio o Festival da TV-Tupi, em 79. Eu
me inscrevi, junto com Cirino. Foi o festival em que Fagner venceu com a
música de Dominguinhos e Manduka, “Quem me levará sou eu”. Depois do
Festival da Tupi, Ralph e Cacá se afastaram da carreira de Fagner e eu
tambem me distanciei dele. Desde então não tivemos mais contato.
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E a sua carreira musical ?
Fiz alguns testes na RCA, assinei com a CBS para um LP e dois compactos,
mas rompi o contrato no mesmo dia pois o empresário queria ser meu
parceiro em todas as minhas músicas. Cheguei a assinar com a Ariola, mas
também não deu certo. Desde então optei pelos discos independentes. Fiz
músicas com muitos parceiros como Geraldo Azevedo, Carlos Moura, Chico
Pio, Calé Alencar, Jorge Mello, Dida Fialho, Jarbas Maris , Pedro Osmar,
Oliveira de Panelas e Eri Galvão.
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E a sua opção por viver em Brasília ?
- Eu morava em Niterói e trabalhava na noite. Abria shows de João
Nogueira, Belchior e Geraldo Azevedo. Minha companheira foi anistiada e
precisava assumir seu trabalho em Brasilia, então viemos para cá. Minha
filha tinha 7 para 8 anos. Logo que chegue fiz um show aqui em Brasilia,
com Geraldo Azevedo que me rendeu alguma mídia. Lancei depois um CD
–coletânea que continha músicas dos meus primeiros discos em vinil. Fui à
Cuba, Porto Alegre e Natal lançando esse disco. Foi o disco que mais
trabalhei.
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E o seu trabalho ligado à cultura indígena ?
- Eu fundei uma ONG chamada “Aldear” que trabalha com esse segmento,
divulgando a cultura indígena. É um trabalho paralelo que faço. Já temos
3 CDs gravados, mas é muito complicado, pois as pessoas não querem
investir, já que não é algo comercial.
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Fale-nos sobre seus trabalhos mais recentes .
- Lancei os Cds “O Auto de Lampião no Além” e “Só para Xotear”. Fiz
alguns shows por aqui, como o da Esplanada dos Ministérios, em que dividi
o palco com o violeiro Roberto Correa.
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Você disse que desde 1979 não teve mais contato com Fagner. E se
aparecesse hoje, a oportunidade de trabalhar novamente com ele, você
aceitaria ?
- Claro. Seria um prazer, uma honra.
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E o projeto “Clan(or)destino ?
- Gravaremos uma coletânea em CD: eu, Clodo Ferreira, Paulo Matricó,
Carlinhos Piauí e Nika Macedo. A previsão de lançamento é para julho
desse ano. É um trabalho com voz, violão, viola e percussão.
-Como
se pode adquirir seus CDs ?
- Basta entrar em contato comigo através do email
aldear@onix.com.br ou
jairomozart@gmail.com
No site
www.musicexpress é possível se ter uma idéia do meu trabalho.
Discografia de Jairo Mozart:
-LP
Muito Prazer – Independente – 1983
-LP
Vôo Mestiço – Independente – 1987
-CD
Jairo Mozart – Retrospectiva - Independente
-CD
Tempo é Vida – Independente -
-CD
Trilha das Águas – Independente –
-CD
Trilha das Águas II (Chico 10 anos) - Independente
-CD
Canto Cerrado (c/Ludmila Vinecka e Guerra Vicente) - Independente
-CD
Choramingando(c/Dinaldo Rodrigues) - Independente
-CD
Só para xotear - Independente
-CD
O Auto de Lampião no Além (c/ Oliveira de Panelas) - Independente
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